sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A Neblina




Uma paisagem esplêndida, de muitos contrastes, mesmo entre as mesmas cores, exibe sua beleza à minha frente. Uma paisagem maravilhosa, de delicados semitons e cores difusas estende-se para o infinito. Parece estar acima de nós, de tão sublime, quando na verdade está embaixo.
Uma neblina subitamente a cobre com tons indefinidos e vagos, tão rapidamente quanto o ritmo da cidade de São Paulo, lugar de caos e incoerência, que suprime a natureza humana e força-nos a servir algo que deveria servir-nos. Uma sociedade que nos deu a liberdade de nos aprisionarmos, e na qual o que há de mais belo são sombras hipnóticas em uma caverna. Lar do sofrimento de muitos para o conforto de poucos.
A neblina se vai e faz de nossa terra natal um pensamento tão distante quanto o infinito. Vêem-se árvores, rochas, nuvens e lagos. A neblina está longe, dando lugar à paisagem à frente, mais uma vez nítida, mais uma vez bela.
Mas é certo que essa paisagem pode deixar de existir por causa do que, agora, em nossa mente, é apenas uma lembrança, distante como a neblina que se dissolveu.


Pedro Brack Aguilar, nº23

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